viagem pela história

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domingo, 5 de junho de 2016

Crise o Séc. XIV

A Crise do séc. XIV

Lembram-se de termos falado de tempos de crescimento e de prosperidade, a partir do século XI, um pouco por toda a Europa? Pois esses tempos estenderam-se até ao início do século XIV, século em que se iniciou um tempo de muitos horrores e de muitas crises - crise climática, crise agrícola, crise demográfica, crise económica e crise social.
século XIV ficou marcado por anos de instabilidade climática que se traduziram em chuvas excessivas, inundações, descidas de temperatura, secas. Esta crise climática provocou uma crise económica pois os péssimos anos agrícolas daí decorrentes traduziram-se em quebras abruptas na produção de cereais, base alimentar da população da época. Os preços dos géneros alimentares dispararam. As exportações desceram, as moedas desvalorizaram. As condições de vida pioraram enormemente, a fome instalou-se e as populações, mal alimentadas e sem hábitos de higiene, tornaram-se mais frágeis e pasto ideal para as doenças se instalarem e propagarem. O século XIV foi farto em epidemias sendo a mais conhecida a célebre peste negra que, vinda do Oriente, matou cerca de 1/3 da população europeia e deixou povoações completamente despovoadas e campos abandonados por inexistência de mão de obra. Temos, assim, uma grave crise demográfica, com diminuição da taxa de natalidade e aumento da taxa de mortalidade, esta última agravada ainda pelas múltiplas guerras travadas no século XIV, um pouco por toda a Europa. A mais conhecida foi a guerra dos cem anos, que opôs a Inglaterra à França, mas podíamos dar outros exemplos e para recorrer a um exemplo português temos as guerras fernandinas, travadas entre Portugal e Castela, entre 1369 e 1382, que contribuíram para o empobrecimento e o sofrimento das populações já tão massacradas pelas dificuldades que, à época, no reino imperavam.
A esmagadora maioria da população, o povo, vivia em condições miseráveis, esmagado pelos impostos cobrados pelos seus senhores. Quando estes viram os seus rendimentos diminuírem, em consequência do aumento da taxa de mortalidade entre a população, tentaram recuperar os rendimentos perdidos aumentando os impostos aos sobreviventes que se encontravam já no limite das suas forças. Os assalariados, aproveitando-se da falta de mão de obra, aumentaram o custo do trabalho. Um pouco por toda a Europa estalaram revoltas populares, rurais e urbanas, durante as quais o povo, desesperado, assaltou, pilhou e incendiou castelos e residências senhoriais. Os senhores retaliaram e a Europa conheceu uma grave crise social.
O século XIV foi, por toda a Europa, um século de dificuldades e de crises e Portugal não foi exceção neste panorama geral.
A crise abrangeu os reinados de D. Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando e, apesar das várias tentativas de solução, a verdade é que as medidas adotadas, das quais as mais célebres estão contidas na Lei das Sesmarias, de 1376, não tiveram grande êxito.
A Lei das Sesmarias obrigava todos quantos tivessem terras a cultivá-las, proibia a mendicidade e obrigava os antigos agricultores a voltarem à profissão, assim como seus filhos e netos e fixava os salários. Tentava-se, desta forma, aumentar a área cultivada, aumentar a mão de obra disponível, evitar abusos nos salários. O problema... foi aplicar a lei...

 


A crise de 1383/85
 
 
Como estão recordados, na última aula falámos do rei D. Fernando e do seu envolvimento em três guerras com Castela, as chamadas guerras fernandinas, todas perdidas para Castela e que causaram ainda mais empobrecimento ao reino, já a braços com enormes dificuldades económicas, demográficas, sociais.
Em 2 de abril de 1383 foi assinado um complexo tratado entre D. Fernando, rei de Portugal, e o rei D. João I de Castela, o Tratado de Salvaterra de Magos, que estipulava o casamento da filha única de D. Fernando e de Dona Leonor de Teles, Dona Beatriz, com D. João I de Castela. Estipulava ainda que, à morte de D. Fernando, se não houvesse herdeiro varão, Dona Leonor de Teles ficaria regente até Dona Beatriz ter um filho com catorze anos, em posição de assumir os destinos do trono português.
A 30 de abril, Dona Beatriz casou com D. João I e, a 22 de outubro, D. Fernando morreu abrindo em Portugal uma crise política devido ao problema da sucessão.
A rainha viúva, dona Leonor de Teles, assumiu a regência do trono português mas rapidamente surgiram as primeiras revoltas contra esta rainha não amada pela generalidade do povo, entre outros motivos pela influência que sobre ela tinha o Conde João Fernandes Andeiro, nobre galego seu conselheiro.
Os acontecimentos precipitaram-se e, a 6 de dezembro, Álvaro Pais chefia uma conspiração para matar o conde. D. João, Mestre de Avis, filho ilegítimo do rei D. Pedro e meio irmão de D. Fernando, entra no Paço da Rainha com um grupo de conspiradores e mata o conde. Dona Leonor foge para Santarém e dali envia um mensageiro à corte de castela solicitando ajuda ao seu genro, D. João I.
A sociedade portuguesa divide-se em duas fações - o povo, a burguesia, o baixo clero e a baixa nobreza apoiam o Mestre de Avis enquanto a alta nobreza e o alto clero apoiam os interesses e pretensões de Castela.
Entretanto, a 15 de dezembro de 1383, em Lisboa, reúne uma assembleia popular que elege o Mestre de Avis "Regedor e Defensor do Reino".
Em janeiro de 1384 as tropas castelhanas invadiram Portugal e no dia 6 de Abril desse mesmo ano os dois exércitos enfrentaram-se na batalha dos Atoleiros, saindo vitoriosas as tropas portuguesas, comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, apesar do número  bastante inferior, batalha onde, pela primeira vez, foi usada a tática do quadrado.
A 29 de maio de 1384, D. João I de Castela cerca Lisboa, cidade cuja defesa estava à guarda de D. João, Mestre de Avis. O cerco durou quatro longos meses e foi muito penoso para as populações devido às privações alimentares... entretanto a peste instalou-se no exército castelhano que levantou o cerco, libertando, deste modo, a cidade.
O prestígio do Mestre foi crescendo, muitas povoações apoiavam-no e a 6 de abril de 1385, o Mestre de Avis, nas Cortes de Coimbra, foi aclamado rei de Portugal com o título de D. João I.
D. João I de Castela invade, de novo, Portugal. Travam-se as batalhas de Trancoso, Aljubarrota e Valverde, todas ganhas por Portugal e que ajudaram a consolidar a independência nacional.
Em 1386, D. João I mandou edificar o mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, que comemora a vitória dos portugueses na batalha de Aljubarrota.

Podes visitá-lo, virtualmente, aqui.
 
 



 

Crise do séc. XIV

http://www.slideshare.net/vmsantos/d3-crises-e-revolues-no-sculo-xiv?ref=http://www.obichinhodosaber.com/2015/10/10/historia-7o-as-crises-do-seculo-xiv/